Quanto mais tempo uma garrafa de whisky fica fechada, melhor ele fica, certo? Não necessariamente! O whisky é realmente uma bebida que passa por um processo de envelhecimento, mas isso não acontece quando ele está na garrafa, e sim quando ele está em tipos variados de barris voltados para isso – e, ainda assim, não significa que nada acontece com a bebida após o armazenamento.
Entenda abaixo como é o processo de envelhecimento do whisky e o que acontece com a bebida após o envase.
Como é o envelhecimento do whisky
O envelhecimento do whisky é um processo químico e físico que acontece antes do envase. Isso se deve ao armazenamento da bebida que sai do alambique, até então incolor, em barris de madeira. Nesse ambiente controlado, o líquido passa anos interagindo com o material de que o barril é feito e o ar, processo conhecido como maturação do whisky.
É nesse momento que o whisky envelhece, resultando na bebida cor-de-âmbar que conhecemos. Esse resultado é fruto das seguintes reações:
Interação da bebida com a madeira

A madeira é um material poroso. Sendo assim, uma vez armazenado no barril, o whisky penetra nas fibras, absorvendo compostos orgânicos como lignina, vanilina, taninos e lactonas. Essas substâncias são responsáveis por conferir à bebida notas de baunilha, coco, caramelo, frutas secas e especiarias – algo típico do carvalho, material do qual barris de whisky geralmente são feitos.
Além disso, esse envelhecimento é diferente a depender das características do barril. Antes de armazenar whisky, eles podem ter sido usados para armazenar xerez, por exemplo, ou passar ter passado por um processo de carbonização (no qual a madeira fica mais tostada). Tudo isso confere diferentes características sensoriais e visuais à bebida durante o envelhecimento do whisky.
Evaporação
Durante os anos pelos quais o whisky fica armazenado, um percentual do conteúdo evapora através da madeira. Essa evaporação torna os sabores e aromas da bebida mais concentrados – e, quanto mais os anos passam, mais intenso é esse efeito.
Whisky envelhece na garrafa? O que acontece após o envase

Assim que o whisky é retirado do barril e colocado na garrafa, o processo de envelhecimento é interrompido. Isso significa que, uma vez envasada, a bebida não envelhece mais, visto que a garrafa e um ambiente inerte e fechado que não permite troca de oxigênio e não tem mais as reações químicas com a madeira.
Sendo assim, quando um rótulo de whisky afirma que a bebida é um “whisky 12 anos”, significa que ele passou 12 anos dentro de um barril – e não que está há 12 anos na garrafa. Ao comprar uma garrafa dessa bebida, inclusive, ela não passa a ser um whisky “24 anos” caso passe outros 12 anos lacrada. Independentemente do tempo que se passe, ele seguirá sendo um “whisky 12 anos”.
Além disso, é preciso frisar que uma bebida envelhecida e engarrafada ainda terá o mesmo perfil químico e sensorial (ou seja, sabor, teor alcoólico e mais características) que tinha no momento do envase.
A bebida muda na garrafa?

Ao longo dos anos, caso a garrafa tenha rolha natural, pode haver uma pequena troca gasosa entre a bebida e o ambiente. Isso faz com que o whisky passe por uma oxidação mínima, suavizando muito levemente os aromas do líquido. Além disso, se a garrafa for armazenada no sol ou em local excessivamente quente, ele pode perder a intensidade da cor e a complexidade dos aromas.
Já quando a garrafa é aberta, mudanças mais notáveis e agressivas tendem a acontecer com a bebida com o passar do tempo. Devido ao contato com o ar, há oxidação da bebida, processo que pode alterar compostos do líquido que são responsáveis pelos aromas. Com o passar dos meses ou anos, o whisky aberto tende a perder as típicas notas frutadas e amadeiradas. Seu aroma, portanto, fica mais “apagado”.
Por que whiskies antigos valem tanto?

Mas, afinal, se a bebida não envelhece na garrafa, por que whiskies engarrafados há mais tempo valem mais? A valorização de bebidas engarrafadas há 30, 50, 70 anos ou mais não está ligada ao envelhecimento físico do líquido, mas a fatores como raridade, história, estado de conservação e valor simbólico colecionável.