Frank Meier: o esquecido barman do Ritz que ajudou a resistência francesa

Barman do Ritz
(Crédito: Divulgação/Ritz Paris)

Você já ouviu falar em Frank Meier? Filho de hoteleiros, ele se tornou um renomado barman – e, apesar disso não ter qualquer relação óbvia com guerras, ele foi, além de uma referência em sua profissão, um importante aliado da resistência francesa durante a ocupação

O barman que se tornou símbolo de resistência: conheça Frank Meier

Barman do Ritz
(Crédito: Divulgação/Ritz Paris)

Frank Meier nasceu em Kirchberg, na Áustria, e ainda jovem iniciou sua carreira como bartender. Após viver em Londres, no Reino Unido, ele viajou a Nova York, nos Estados Unidos, onde aprendeu o ofício em grande estilo, no renomado Hoffman House Hotel.

Mais tarde, antes dos 30 anos, ele retornou à Europa, onde criaria uma trajetória importante não apenas como barman, mas como aliado da resistência Francesa após a Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito, ele serviu a Legião Estrangeira Francesa, unidade militar formada por estrangeiros, posteriormente se tornando cidadão francês.

Em 1921, três anos após o fim da guerra, ele foi contratado como barman-chefe do bar do Hotel Ritz, em Paris, onde fez história. Ele defendia, por exemplo, que pessoas no cargo dele servissem diretamente os clientes em vez de ficar atrás do balcão. Ele foi o responsável por introduzir essa ideia a França, e era conhecido por seu estilo elegante e discreto que o fazia circular facilmente entre membros da elite, como a estilista Coco Chanel e o autor Francis Scott Fitzgerald.

Frank Meier teve função importante no pós-guerra

Barman do Ritz
(Crédito: Divulgação/Ritz Paris)

Ainda que a guerra já tivesse acabado, no entanto, a França vivia um momento tenso. Na época em que Frank era barman do Ritz, o país estava se reconstruindo em meio a um clima de paranoia com espionagem e desconfiança com anarquistas, comunistas, judeus e estrangeiros. Nesse contexto, bares com o que Frank chefiava se tornaram refúgios – em especial o Ritz.

Devido à nacionalidade suíça dos proprietários do estabelecimento, o Ritz Paris virou um esconderijo e ponto de encontro único. Ele abrigou, por exemplo, membros da resistência, espiões e pilotos aliados. Por já ter atuado na resistência francesa durante o conflito, inclusive, Frank usou isso para desempenhar um papel fundamental no pós-guerra.

Ele ajudava, por exemplo, a fornecer documentos falsos para que judeus (como ele) e fugitivos pudessem escapar da crescente perseguição. Além disso, ele também serviu como uma espécie de “caixa postal” entre oficiais nazistas que planejavam a famosa operação Valquíria, cujo objetivo era matar Adolf Hitler. Isso era, inclusive, feito de forma curiosa, com os envolvidos fingindo estar fazendo apostas no bar.

Desaparecimento misterioso

Barman do Ritz
(Crédito: Divulgação/Ritz Paris)

Nos anos 40, Frank Meier perdeu o cargo no bar do Ritz Paris sob alegações de movimentação financeira de clientes para uma conta pessoal. Na sequência, porém, ele desapareceu misteriosamente. Rumores dão conta de que ele teria se mudado para o sul da França, falecendo por volta de 1947 – algo que nunca foi confirmado.

Apesar do desfecho de sua história ser envolto em incertezas, o legado de Frank Meier nunca se apagou. Sua história foi contada, por exemplo, por Philippe Collin, que se baseou em documentos, arquivos e depoimentos ligados à trajetória do barman para escrever o romance “Le Barman du Ritz”, lançado em 2024.

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