Muitos conhecem Guinness, cerveja escura cremosa de sabor único, mas poucos conhecem a história icônica dessa bebida. Tudo começou com Arthur Guinness, que viveu entre 1725 e 1803 e, apesar da origem humilde, foi responsável por um contrato lendário e pela criação de um verdadeiro império.
Família Guinness: de origem modesta a contrato lendário

A história da família Guinness começou na Irlanda no século XVIII, com Arthur Guinness. Nascido em 1725 em uma família que trabalhava para a igreja e filho de pai que administrava terras, ele aprendeu o ofício de fermentar e produzir bebidas em meio às propriedades para as quais trabalhou.
Em 1759, porém, ele tomou uma iniciativa que mudaria não só a própria vida, mas a história da Irlanda. Determinado a começar a própria produção, ele arrendou uma cervejaria desativada em Dublin por apenas 45 libras esterlinas ao ano – algo que, hoje, se traduz em cerca de 9.4 mil libras, o equivalente a R$ 68 mil anuais.
O mais curioso, porém, não é o valor do aluguel, mas sim o contrato feito por ele, algo que entrou para a história. Isso porque, ao arrendar a cervejaria desativada, Arthur Guinness fechou um contrato de 9 mil anos, ou seja, um “prazo eterno”. Isso garantia não apenas segurança para investir à vontade no espaço, mas acesso exclusivo à água da região – recurso valioso e essencial para a produção da bebida.

Esse contrato, inclusive, não é lenda, e o documento original segue preservado nos arquivos da marca em Dublin. Ele é, hoje, considerado um dos itens mais emblemáticos da história empresarial não só da Irlanda, mas de toda a Europa.
Criação da Guinness e ascensão da empresa
De início, Arthur fabricava diversos estilos de cerveja. Eventualmente, no entanto, ele seguiu a maior tendência de mercado do ramo na época, que era a das cervejas porter, bebida escura e mais encorpada consumida especialmente por trabalhadores portuários em Londres, na Inglaterra, durante o ofício pesado.
O foco dele nesse tipo de bebida consolidou a identidade de Guinness que se conhece até hoje: uma grande e importante produtora de cerveja escura. Assim, nasceu a primeira versão da cerveja, que passou por algumas transformações conforme sua produção foi “herdada” pelos descendentes de Arthur.
Já durante os séculos XIX e XX, os herdeiros de Arthur transformaram a cervejaria em um grande império industrial. Após herdar um negócio já renomado, eles investiram em infraestrutura de fermentação e logística, expandindo a exportação dos produtos. Nessa época, eles se tornaram uma das maiores cervejarias do mundo.
Duas outras figuras-chave além de Arthur foram Benjamin Lee Guinness e Edward Cecil Guinness, neto e bisneto do fundador, respectivamente. Enquanto o primeiro modernizou e profissionalizou o negócio da família, o segundo abriu o capital deles em Londres.
Além disso, Edward também liderou grandes projetos filantrópicos, destinando muito dinheiro a planos de habitação e obras públicas voltadas especialmente para pessoas necessitadas, como banhos públicos e alojamentos. Nesse contexto, a família Guinness passou a ser detentora de grande riqueza e, com isso, ganhou grande influência social.

Ramo bancário e político da família
A cervejaria, porém, não foi a única iniciativa da família. Em paralelo, uma ramificação dos Guinness entrou para o ramo das finanças, com Rundell Guinness fundando o prestigiado banco Guinness Mahon.
Além disso, a família Guinness também se estendeu para a política, com destaque para Walter Edward Guinness como político conservador morto no Cairo, capital do Egito, em um episódio de grande repercussão. Outros foram deputados, filantropos e patronos das artes (ou seja, pessoas que financiam e oferecem recursos para artistas).
Em 1997, a empresa passou então por uma transformação corporativa que reduziu o controle da família sobre os negócios. Nesse ano, a Guinness se fundiu coma Grand Metropolitan e, juntas, formaram a gigante global Diageo.
Mitos e tragédias polêmicas da família Guinness

Como a família Guinness foi extremamente relevante, cheia de figuras públicas com títulos de nobreza e visibilidade internacional, seu legado também foi marcado por polêmicas. Devido à riqueza, tudo o que acontecia de trágico na família era explorado pela mídia sob a ideia de que eles eram “amaldiçoados”.
A tragédia mais documentada aconteceu em 22 de novembro de 1944, quando Walter Edward Guinness, político britânico, foi assassinado. Ele era Ministro das Colônias e estava no Oriente Médio para supervisionar interesses britânicos durante a Segunda Guerra Mundial, e ele foi morto pelo grupo sionista Lehi.
O acontecimento representou um golpe profundo na família especialmente pelo impacto político diante de tensões diplomáticas criadas pelo episódio.
Além dele, outros membros da família tiveram seu desfecho em mortes prematuras ou circunstâncias trágicas. Alguns, por exemplo, morreram em acidentes de carro no início do século XX, quando a mobilidade urbana se expandia. Há ainda registros de pessoas que tiraram a própria vida e falecimento de jovens herdeiros.
Diante dessas mortes trágicas em sucessão, criou-se a lenda da “maldição Guinness”. Ela sugere que a fortuna da família veio às custas de tragédias, algo frequentemente reforçado em livros, reportagens e documentários.