A tabela periódica das bebidas: será que você sabe qual é a dose certa e o teor alcoólico das bebidas mais comuns?

A maioria das pessoas aprecia ao menos algum tipo de bebida alcoólica – ou vários. Afinal, quem não gosta de uma cervejinha após um dia estressante, ou de uma taça de vinho para acompanhar um bom jantar?

Mas você sabe qual é a dose certa dessas bebidas para não fazer mal ao organismo? Ou consegue dizer, sem hesitar, qual é o teor alcoólico das bebidas que costuma consumir? Se respondeu “não” para alguma dessas perguntas, esse artigo é para você. 

Veja abaixo tudo o que você precisa saber para consumir bebidas alcoólicas com responsabilidade:

O que é teor alcoólico

presenteáveis com whisky
(Crédito: Noel Mas Martinez/Unsplash)

O teor alcoólico – ou graduação alcoólica – expressa a quantidade de álcool que uma bebida tem. Ele é medido em porcentagem de volume, então, por exemplo: um teor alcoólico de 5% significa que há 5 ml de etanol puro a cada 100 ml da bebida em questão.

Essa medição é feita com um densímetro, sempre a 20°C. Isso porque o álcool é menos denso que a água, ou seja: quanto mais álcool houver na bebida, menor será a densidade dela. Temperaturas diferentes dessa referência podem gerar divergências nos resultados e, por isso, a padronização é essencial.

No Brasil, a escala utilizada é se chama Gay-Lussac (°GL), adotada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que também é o órgão responsável por fiscalizar e regulamentar a graduação alcoólica das bebidas comercializadas no País. Por lei, essa informação deve estar presente no rótulo de todas as bebidas alcoólicas.

Vale saber ainda que, no Brasil, a legislação classifica as bebidas alcoólicas em três categorias com base na graduação alcoólica: as bebidas não alcoólicas (até 0.5%), as bebidas alcoólicas (entre 0.5% e 54%) e os destilados alcoólicos (acima de 54%).

Esses destilados alcoólicos com graduação acima de 54% são ingredientes industriais, e não bebidas de consumo direto. Eles se destinam à elaboração de outras bebidas – e é por isso que whiskies, cachaças, vodkas e similares com graduação entre 38% e 54% se enquadram legalmente na categoria de bebidas alcoólicas.

Teor alcoólico de cervejas, vinhos e destilados

O teor alcoólico das bebidas varia bastante de uma categoria para outra – e também dentro de uma mesma categoria. Entender essas diferenças ajuda a fazer escolhas mais conscientes na hora de beber e, abaixo, te explicamos de forma geral qual é a graduação alcoólica comum de cada uma:

Cerveja

teor alcoólico da cerveja
(Crédito: Timothy Dykes/Unsplash)

A cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no Brasil, respondendo por cerca de 62% do consumo nacional de álcool. Sua graduação alcoólica costuma ficar entre 4% e 6% nas versões tradicionais. As lager mais populares, como Heineken, Brahma e Budweiser, por exemplo, ficam em torno de 5%.

Já as cervejas artesanais e as de estilos como amber, stout e strong ale podem chegar a 10% ou 12% – e algumas produções especiais ultrapassam essa marca. Na outra ponta, as cervejas sem álcool contêm menos de 0.5% de teor alcoólico. 

A dose padrão de cerveja ou chope é de 340 ml, referência usada em políticas de saúde pública no Brasil.

Vinho

teor alcoólico do vinho
(Crédito: Matthieu Joannon/Unsplash)

O vinho tem graduação alcoólica que normalmente varia entre 10% e 15%. Os vinhos tintos secos costumam ficar entre 12% e 14%, enquanto os brancos secos ficam um pouco abaixo. Enquanto isso, os espumantes brut, bastante comuns em celebrações, têm entre 11% e 12%.

Já os vinhos fortificados e de sobremesa, como o vinho do Porto, podem atingir entre 15% e 20% de teor alcoólico. Isso se deve à adição de aguardente durante o processo de produção. A dose padrão de vinho é 140 ml.

Destilados

(Crédito: ourwhiskyfoundation/Unsplash)

Os destilados passam por um processo de concentração do etanol que resulta em graduação alcoólica bem mais elevada do que as bebidas fermentadas. A faixa habitual fica entre 38% e 54%, mas isso pode variar conforme o tipo da marca.

  • Vodka: em torno de 40%, podendo variar por marca. A Smirnoff, por exemplo, tem 37.5%.
  • Cachaça: entre 38% e 48%. A Ypióca (nas versões Prata, Ouro e 160), por exemplo, tem de 38% a 39% de graduação alcoólica;
  • Whisky: entre 40% e 68%, dependendo do estilo. O Johnnie Walker Black Label, um dos blended scotch mais consumidos do mundo, tem 40%;
  • Gin: entre 37,5% e 50%. O Tanqueray London Dry, referência mundial da categoria, tem 47,3%;
  • Rum: entre 37% e 55%. O Zapaca 23, rum guatemalteco envelhecido de forma única, tem 40%;
  • Tequila: entre 32% e 60%. A Don Julio tem, em praticamente toda a linha, 40%.

A dose padrão para destilados no Brasil é de 44 ml. Nas receitas de coquetéis, porém, o mais usado é 40 ml, e os dosadores de bar costumam ter duas medidas: 40 ml e 20 ml.

Teor alcoólico de drinks

Na imagem abaixo, você encontra a tabela periódica para consultar o teor alcoólico das bebidas e mais comuns e coquetéis mais famosos. E aqui você sabe mais como é medido o teor alcoólico das bebidas!

tabela-periodica-das-bebidas

Como consumir bebidas alcoólicas com responsabilidade

Conhecer o teor alcoólico das bebidas é o primeiro passo para consumir com mais consciência, e o segundo é entender o que isso representa em termos práticos para o organismo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define uma dose padrão como 10g de etanol puro. Isso equivale a 350 ml de cerveja com 5% de graduação alcoólica, 150 ml de vinho a 12% ou 45 ml de um destilado a 40%. A OMS recomenda que homens e mulheres não excedam duas doses por dia e se abstenham de beber pelo menos dois dias por semana.

É importante lembrar que qualquer bebida alcoólica, consumida em doses elevadas, pode fazer mal à saúde. O álcool está associado a mais de 200 doenças e distúrbios, entre eles doenças hepáticas, alterações cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Além disso, beber e dirigir coloca em risco a vida de todos – se for beber, não dirija.

Por fim, fique atento à ressaca: ela é o sinal mais imediato de que o organismo foi além do que consegue metabolizar com tranquilidade. A velocidade de absorção do álcool varia de acordo com fatores como a presença de alimentos no estômago, o tipo de bebida e o ritmo do consumo. Comer antes de beber e intercalar com água ao longo da noite são hábitos simples que fazem diferença real. Beba com moderação e aproveite o momento com responsabilidade.