Espresso martini com parmesão: entenda a variação do drink que viralizou

Entre os drinks com café, poucos resumem tão bem a experiência quanto um bom espresso martini. E depois de anos como um dos coquetéis mais pedidos pelo mundo, ele agora reaparece nos feeds em uma versão que pode soar estranha à primeira vista, mas tem embasamento: o espresso martini com parmesão.

Quem se depara com essa tendência pode torcer o nariz, mas muita gente não sabe que não se trata de um exagero aleatório. Isso porque existe uma lógica gastronômica por trás do uso do queijo salpicado sobre a bebida – e, abaixo, te explicamos por que a trend faz sentido, além de como preparar essa receita de drink:

Espresso martini com parmesão: função do ingrediente e mais

@stevethebartender

PARMESAN ESPRESSO MARTINI 🧀 — (Based on Dick Bradsell specs) – 2 oz / 60 ml vodka – 0.5 oz / 15 ml coffee liqueur – 1 oz / 30 ml espresso – 0.25 oz / 7.5 ml simple syrup – Grated Parmesan

♬ Aesthetic – Tollan Kim

Embora queijo parmesão, café e os outros ingredientes dessa bebida não pareçam interagir, existe uma lógica gastronômica quando se une todos eles. Isso porque, enquanto o café traz amargor, o parmesão entra com salinidade e umami, equilibrando tanto o sabor do café quanto a doçura do licor.

Se trata, portanto, do mesmo princípio que faz muitos bartenders adicionarem uma pitada de sal no drink, visando realçar e equilibrar os sabores de forma a elevar o coquetel.

História do espresso martini com parmesão

Uma das primeiras “aparições” da bebida nas redes sociais aconteceu a partir do bartender peruano Carlos Ruiz, que criou uma releitura do espresso martini chamada “Café Con Queso” (“café com queijo”) em 2022. A receita rendeu a ele o terceiro lugar em uma competição, e já trazia queijo ralado sobre a bebida.

A ideia então circulou entre profissionais até chegar ao criador de conteúdo Jonathan Stanyard, de Seattle (Estados Unidos). Com base na receita original, ele criou uma variação mais sofisticada, usando conhaque infusionado em trufa.

Quem transformou a criação em fenômeno, porém, foi o bartender Jordan Hughes, de Portland (Estados Unidos). Em fevereiro de 2023, ele publicou um vídeo preparando o martini clássico de vodka e finalizando o drink com parmesão – e, após declarar ter gostado do resultado, a receita passou a viralizar.

Ainda em 2023, a trend ganhou cobertura de grandes veículos que abordam gastronomia e chegou, inclusive, aos cardápios de redes de bares e restaurantes norte-americanos. Como o espresso martini nunca saiu de cena, a trend segue revivendo – e agora, em 2026, voltou a circular também entre bartenders brasileiros.

Receita de espresso martini com parmesão

A receita de espresso martini com parmesão que vem circulando mantém a estrutura clássica do drink, trazendo o queijo apenas como toque final:

Ingredientes

  • 50 ml de vodka;
  • 30 ml de licor de café;
  • 30 ml de café espresso;
  • 10 ml de xarope de açúcar;
  • Queijo parmesão para ralar na hora (a gosto).

Preparo

Bata todos os ingredientes menos o parmesão na coqueteleira com gelo e coe a mistura para uma taça gelada. Finalize o drink com parmesão ralado na hora por cima dele, usando um ralador bem fino (tipo microplane), para criar uma camada leve do ingrediente sobre a espuma.

Martini: mais sobre o drink clássico

(Crédito: Ambitious Studio* | Rick Barrett/Unsplash)

Antes de virar base para releituras como a do parmesão, o martini já era um dos coquetéis mais reverenciados do mundo. Em sua forma clássica, ele reúne apenas dois ingredientes (gin e vermute, um vinho fortificado e aromatizado com especiarias) finalizados com azeitona ou uma casca de limão. Ainda que tenha uma composição simples, o martini alcançou uma aura de sofisticação e uma popularidade que poucos coquetéis conseguem.

A origem exata do drink é marcada por disputas. Aqui, a teoria mais aceita é a de que o drink evoluiu do martinez, um coquetel do fim do século 19 que unia gin, vermute doce, licor maraschino e bitters. Não à toa, as primeiras versões do martini eram bem mais adocicadas, mas, com o tempo, foi ficando cada vez mais “seco” especialmente pela ascensão do gin London Dry.

Por volta de 1922, o martini já havia chegado à forma que reconhecemos: gin London Dry e vermute seco combinados mexidos com gelo e coados para uma taça gelada. Já a partir dos anos 1950 e 1960, a vodka passou a disputar espaço com o gin como destilado-base, dando origem a novas versões.

Mas, afinal, por que o martini se tornou tão famoso? A resposta está em partes na simplicidade elegante e no caráter de “fórmula”: pequenas mudanças de ingrediente ou guarnição criam drinks de identidade própria, e cada um pede o seu do jeito que prefere. Além disso, existe ainda a associação do coquetel com glamour e sofisticação reforçada pelo cinema – especialmente quando se fala em James Bond, que tem o martini “shaken, not stirred” (“batido, não mexido”) como uma espécie de assinatura.

Variações do martini clássico

(Crédito: ztanizlaff/Unsplash)

Mais do que uma receita fixa, o martini funciona como um formato. A partir da base de gin e vermute, ele deu origem a uma família de drinks. Enquanto alguns se aproximam bem do original, outros praticamente só mantêm o nome e a taça. Estas são as variações mais relevantes:

  • Dry Martini: a forma que consagrou o drink. Leva gin e apenas um toque de vermute seco, resultando em um perfil intenso e “seco”, com o destilado em primeiro plano. É servido com azeitona ou casca de limão;
  • Vodka Martini (ou vodkatini): troca o gin pela vodka. O resultado é mais neutro e suave, deixando o vermute e a guarnição em maior evidência. Foi eternizado como o pedido de James Bond;
  • Dirty Martini: recebe uma dose de salmoura de azeitona, que deixa a bebida levemente turva e com um caráter salgado e savory. Costuma vir guarnecido com azeitonas;
  • Gibson: estruturalmente é um dry martini, mas troca a azeitona por uma cebolinha em conserva, que adiciona um toque ácido e sutilmente adocicado;
  • Vesper Martini: combina gin e vodka com um toque de Lillet, um aperitivo à base de vinho, para um drink encorpado e potente. Foi criado pelo escritor Ian Fleming para o personagem James Bond;
  • Martinez: considerado o “ancestral” do martini. Mais adocicado, une gin, vermute doce, licor maraschino e bitters, com um final que lembra cereja;
  • French Martini: foge do perfil clássico. Leva vodka, licor Chambord (de framboesa) e suco de abacaxi, resultando em um drink frutado, adocicado e de cor rósea;
  • Espresso Martini: a versão com café, feita com vodka, licor de café e espresso batidos até formar espuma. É justamente o ponto de partida da tendência com parmesão abordada acima.

Se você gostou desse conteúdo e curte acompanhar as tendências da coquetelaria, confira também este artigo sobre o desafio viral da cerveja Guinness. Além disso, veja também mais receitas alternativas do martini, como o Tanqueray Grapefruit Martini, o Tanqueray Iconic Martini e o Baileys Espresso Martini.

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