Os drinks dos anos 30 e 40, coquetéis criados e popularizados entre o fim da Lei Seca norte-americana e os anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, são verdadeiros clássicos. Foi nesse período, por exemplo, que nasceram drinks como Moscow Mule e Mai Tai, e que o Bloody Mary ganhou sua forma atual – ao mesmo tempo em que Dry Martini e Old Fashioned se consolidaram.
Hoje, esses drinks clássicos voltaram ao centro da coquetelaria, impulsionados pela retomada da estética de bares escondidos (speakeasy) e pelo interesse em receitas com história. Neste guia, você entenderá melhor o contexto da época, que explica o surgimento de várias bebidas conhecidas, bem como a origem de cada coquetel e receitas para preparar drinks retrô em casa:
Drinks dos anos 30 e 40: contexto histórico

Os drinks dos anos 30 e 40 reúnem dois grupos de receitas. O primeiro inclui coquetéis criados nessas décadas, como o Bloody Mary em sua forma atual, o Zombie e o Moscow Mule. O segundo reúne clássicos mais antigos que, nesse período, entraram nos livros de coquetelaria mais importantes, ganharam fama ou mudaram de receita.
Durante a Lei Seca nos Estados Unidos, que ocorreu entre 1920 e 1933, os coquetéis, de forma controversa, ganharam enorme popularidade, já que sucos, xaropes e açúcar ajudavam a disfarçar a baixa qualidade das bebidas clandestinas. Ao mesmo tempo, muitos bartenders ficaram sem trabalho e parte deles deixou o país. Nesse contexto, a coquetelaria americana “mudou de endereço”, se desenvolvendo na Europa e no Caribe.
Já com o fim da proibição, os bares de hotéis se tornaram vitrines de sofisticação. Foi em 1934, logo após a revogação da lei, por exemplo, que o bartender Fernand Petiot assumiu o comando do bar do hotel St. Regis, em Nova York. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, o livro “The Savoy Cocktail Book”, de Harry Craddock, lançado em 1930, cravou receitas que, com o tempo, se tornariam referência.
Depois, nos anos 40, a guerra mudou o cenário mais uma vez. Ainda assim, a necessidade de escapismo manteve os bares cheios – e, nesse mesmo período, a vodka começou a conquistar o público americano.
Por que drinks retrô voltaram à moda
O período que começa nos anos 2000 é visto como uma verdadeira “renascença” no mundo dos drinks, com o resgate das histórias e da atenção às técnicas de preparo anteriores à Lei Seca. Dessa forma, bartenders do mundo todo voltaram aos manuais antigos em busca de método e autenticidade.
Esse movimento, inclusive, aparece nos rankings de bares: no Cocktail Report, lista anual da revista britânica Drinks International com os clássicos mais vendidos nos melhores bares do mundo, o Negroni lidera há vários anos, enquanto Margarita, Old Fashioned e Dry Martini vêm logo em seguida.
Além disso, os drinks antigos também ganharam espaço nas reuniões mais caseiras. As tendências recentes apontam, por exemplo, para uma coquetelaria doméstica mais cuidadosa, com encontros cheios de nostalgia e uma ânsia por sofisticação. Dessa forma, preparar coquetéis clássicos também virou uma forma de receber os amigos com mais personalidade.
Clássicos antigos que marcaram os anos 30 e 40
Apesar de terem criação anterior às décadas de 30 e 40, foi durante esses anos que alguns drinks famosos ganharam status de clássicos, seja pela fama nos bares, pelo registro nos principais livros de coquetelaria ou por mudanças na receita – e, a seguir, você confere a história e o preparo de cada um deles:
Old Fashioned

Considerado um dos coquetéis mais antigos da história, o Old Fashioned nasceu no século 19, nos Estados Unidos, e foi um dos poucos a sobreviver à Lei Seca, voltando a ser um dos favoritos do país logo após o fim da proibição.
À base de whisky e servido em copo baixo, o drink tem esse nome pois, em dado momento, bartenders passaram a alterar a receita original, fazendo clientes pedirem o drink “do jeito antigo” (tradução da expressão “old fashioned”). Veja abaixo a receita de Old Fashioned:
Ingredientes
- 1 cubo de açúcar;
- 1 dash de angostura bitter;
- 50 ml de Johnnie Walker Black Label;
- 1 ramo de alecrim para decorar.
Preparo
Coloque o açúcar no copo, adicione angostura bitter e macere até dissolver o cubo. Encha o copo com gelo, sirva o whisky, decore com um raminho de alecrim e sirva.
Manhattan

Nascido em Nova York no fim do século 19 e frequentemente associado ao Manhattan Club, o Manhattan estava entre os drinks mais famosos do mundo nos anos 30. Uma lista de 1934 o colocou em segundo lugar entre os coquetéis mais conhecidos, atrás apenas do Martini. No mesmo ano, o drink ainda apareceu no filme “The Thin Man”, quando o protagonista explica como agitar a coqueteleira.
Tradicionalmente preparado com rye whiskey (embora versões com bourbon sejam aceitas há muito tempo) e servido em taça coupe, o drink tem perfil sedoso, com equilíbrio entre doçura e profundidade aromática. Veja abaixo a receita de Manhattan:
Ingredientes
- 50 ml de rye whisky ou bourbon;
- 25 ml de vermute doce;
- 1 dash de angostura bitters;
- 1 cereja marrasquino;
- Casca de laranja;
- Gelo.
Preparo
Coloque todos os ingredientes líquidos em um mixing glass com gelo. Misture delicadamente por entre 20 e 30 segundos, coando em seguida o drink para uma taça coupe. Decore com a cereja e a casca de laranja antes de servir.
Dry Martini

Evolução do Martinez, uma receita mais doce, o Dry Martini se formou no início do século 20, conforme o vermute doce deu lugar ao seco e sua proporção diminuiu. Foi nos anos 30, porém, que ele se tornou símbolo de elegância: além de liderar a lista de 1934, o drink aparece em “The Thin Man”, lançado no mesmo ano, em que o detetive Nick Charles prepara seus Martinis batidos, décadas antes de James Bond.
À base de gin e servido em taça coupe ou taça Martini, o resultado é um drink seco, límpido e intensamente aromático. Veja abaixo a receita de Dry Martini:
Ingredientes
- 60 ml de Tanqueray Nº Ten;
- 10 ml de vermute seco;
- 15 ml de salmoura de azeitona;
- Gelo;
- 1 azeitona para decorar.
Preparo
Coloque o vermute em um mixing glass cheio de gelo e mexa delicadamente até o copo ficar bem gelado. Retire o gelo derretido e sirva o gin e a salmoura, mexendo por mais alguns segundos. Coloque a mistura em uma taça previamente resfriada e finalize com uma azeitona no palito.
French 75

Criado por volta de 1915, em Paris, o French 75 leva o nome do canhão francês de 75 mm usado na Primeira Guerra. Sua ligação com os anos 30 e 40 vem de dois registros importantes: em 1930, a receita entrou no “The Savoy Cocktail Book” e, em 1942, ganhou as telas em “Casablanca”, quando a personagem Yvonne pede o drink ao chegar ao bar com um oficial alemão.
À base de gin, finalizado com espumante e servido em taça flauta ou coupe, o drink é cítrico, borbulhante e sofisticado. Veja abaixo a receita de French 75:
Ingredientes
- 30 ml de Tanqueray London Dry;
- 15 ml de xarope de açúcar;
- 15 ml de suco de limão;
- Espumante;
- Casca de limão;
- Gelo.
Preparo
Coloque o gin, o suco e o xarope em uma coqueteleira com bastante gelo e bata bem até a superfície ficar gelada. Coe a mistura para uma taça do tipo flute e complete com o espumante. Decore com a casca de limão e sirva.
Gimlet

Com raízes na Marinha Britânica, que usava cítricos para prevenir o escorbuto, o Gimlet só teve o nome registrado em 1928. Dois anos depois, entrou para o “The Savoy Cocktail Book”, com metade gin e metade cordial de limão. A fama maior, no entanto, veio só em 1953, com o romance “The Long Goodbye”, de Raymond Chandler.
Hoje, os bartenders costumam trocar o cordial por suco fresco e açúcar. O resultado, servido em taça coupe, é um drink de frescor cítrico e perfil elegante. Veja abaixo a receita de Gimlet:
Ingredientes
- 60 ml de Tanqueray London Dry;
- 30 ml de suco de limão;
- 15 ml de xarope simples;
- Fatias de limão ou pepino;
- Gelo.
Preparo
Coloque o gin, o suco e o xarope em uma coqueteleira com bastante gelo e bata bem. Coe a mistura para uma taça, decorando com as fatias de limão ou pepino, de acordo com a preferência.
Bee’s Knees

Atribuído a Frank Meier, bartender do Hotel Ritz de Paris, o Bee’s Knees apareceu pela primeira vez em livro em 1929. Nos anos seguintes, a receita se espalhou: foi publicada em livros de 1934 e 1936 e, no fim dos anos 40, no guia de David Embury, de 1948.
O nome vem de uma gíria da época que significava “o melhor”, e a receita troca o açúcar refinado pelo mel. À base de gin e servido em taça coupe, o drink tem doçura floral, textura redonda e acidez viva. Veja abaixo a receita de Bee’s Knees:
Ingredientes
- 40 ml de gin;
- 20 ml de suco de limão;
- 20 ml de xarope de mel;
- Casca de limão;
- Gelo.
Preparo
Coloque o gin, o suco e o xarope em uma coqueteleira com gelo e bata bem. Em seguida, coe para um copo e decore com a casca de limão.
Drinks criados nos anos 30
Com o fim da Lei Seca, os bares de hotel, os balcões do Caribe e os primeiros bares temáticos da Califórnia viraram laboratórios de novas receitas. Nesse cenário, surgiram drinks dos anos 30 e 40 que ainda hoje estão entre os mais pedidos, começando pelos criados na primeira dessas décadas:
Bloody Mary

A versão mais difundida diz que Fernand Petiot preparou a primeira mistura de vodka e suco de tomate em Paris, nos anos 20. Foi em 1934, porém, no King Cole Bar do hotel St. Regis, em Nova York, que ele aperfeiçoou a receita. Petiot adicionou sal, limão e molho de pimenta para atender aos clientes americanos, que queriam um drink mais picante. Por lá, o coquetel chegou a ser rebatizado de Red Snapper para não chocar a clientela.
Servido em copo long drink, o Bloody Mary se firmou como um drink salgado e picante, de acidez marcante. Veja abaixo a receita de Bloody Mary:
Ingredientes
- 40 ml de Smirnoff Nº 21;
- 120 ml de suco de tomate;
- Pitadas de sal e pimenta;
- 3 dashes de molho inglês;
- 4 dashes de tabasco;
- Talo de salsão para decorar;
- Gelo.
Preparo
Coloque todos os ingredientes líquidos em uma coqueteleira com gelo e bata bem. Coe a mistura para um copo highball com gelo, decore com o talo de salsão e sirva.
Margarita

A origem da Margarita é disputada, mas a maior parte dos relatos situa sua criação no México ou na fronteira com os Estados Unidos, nos anos 1930. Foi nesse período que receitas com tequila no estilo Daisy começaram a aparecer em livros e cardápios.
Servida em taça coupe ou copo baixo com borda de sal, a Margarita combina frescor cítrico, leve salinidade e final limpo. Veja abaixo a receita de Margarita:
Ingredientes
- 50 ml de Don Julio Blanco;
- 25 ml de licor triple sec;
- 20 ml de suco de limão;
- 2 gomos de limão;
- Sal;
- Gelo.
Preparo
Passe um gomo de limão pela borda de um copo baixo e, em seguida, “carimbe-a” no sal para que ele grude no vidro. Coloque todos os ingredientes líquidos em uma coqueteleira com bastante gelo e mexa bem. Coe a mistura para o copo preparado tomando cuidado para que o sal não se misture ao drink. Decore com outro gomo de limão e sirva.
Zombie

Símbolo da cultura tiki, que começou quando Donn Beach abriu um bar em Hollywood após o fim da Lei Seca, o Zombie teria sido criado pelo próprio Beach em 1934, no Don the Beachcomber. Por causa da potência, a casa limitava cada cliente a dois drinks. Como a receita original era mantida em segredo, o coquetel ganhou diversas versões ao longo das décadas.
À base de rum e servido em copo long drink, o Zombie é um drink frutado, aromático e intenso. Veja abaixo a receita de Zombie:
Ingredientes
- 25 ml de rum com especiarias;
- 25 ml de rum branco;
- 50 ml de suco de limão;
- 75 ml de suco de laranja;
- 15 ml de grenadine;
- 1 fatia de abacaxi;
- 1 gomo de laranja;
- Folhas de menta;
- Gelo.
Preparo
Coloque todos os ingredientes líquidos em uma coqueteleira com gelo e bata vigorosamente. Coe a mistura para um copo highball com gelo fresco, decore o drink com as frutas e as folhas de menta e sirva.
Drinks criados nos anos 40
Os anos 40 trouxeram novidades para a coquetelaria. Enquanto a febre tiki seguia em alta, a vodka começou a conquistar o público americano e, na Itália do pós-guerra, um velho conhecido dos bares ganhou o nome pelo qual é famoso até hoje:
Mai Tai

Outro clássico tiki, o Mai Tai foi criado em 1944 por Victor Bergeron, no Trader Vic’s, para valorizar o rum envelhecido. O nome vem de uma expressão taitiana que significa “bom” ou “fora deste mundo”.
Servido em copo baixo com gelo picado, o drink combina notas tropicais, toque amendoado e acidez equilibrada. Veja abaixo a receita de Mai Tai:
Ingredientes
- 35 ml de rum branco;
- 15 ml de rum escuro;
- 20 ml de suco de limão;
- 10 ml de licor triple sec;
- 25 ml de xarope de orgeat;
- Fatia de abacaxi;
- Cereja;
- Gelo.
Preparo
Coloque todos os ingredientes líquidos na coqueteleira com gelo e bata bem, até o recipiente esfriar. Coe para um copo com gelo fresco, decore com o abacaxi e a cereja e sirva.
Moscow Mule

Criado em 1941, em Los Angeles, o Moscow Mule surgiu para promover a vodka em um momento em que a bebida ainda tinha pouco espaço nos Estados Unidos. O drink nasceu da parceria entre John Martin, responsável pela Smirnoff no país, Jack Morgan, que produzia ginger beer, e Sophie Berezinski, dona de um estoque de canecas de cobre, que viraram a marca registrada da receita.
Para divulgar o coquetel, Martin pedia aos bartenders que posassem com a caneca e uma garrafa de Smirnoff para fotos Polaroid. Depois, usava as imagens para convencer outros bares a servir o drink. No Brasil, o Moscow Mule ganhou uma versão própria, com espuma de gengibre, criada pelo bartender Marcelo Serrano para uma competição nos anos 2000.
O resultado é um drink refrescante, com picância leve e acidez vibrante. Veja abaixo a receita de Moscow Mule:
Ingredientes
- 50 ml de Smirnoff;
- 20 ml de suco de limão;
- 80 ml de água com gás;
- Espuma de gengibre;
- Gelo picado;
- Folhas de hortelã.
Preparo
Combine a vodka e o suco de limão em uma caneca, adicionando a água com gás em seguida. Acrescente gelo picado, complete com a espuma de gengibre no topo e sirva.
Negroni

A história mais difundida sobre o Negroni situa sua criação em Florença, em 1919. Segundo esse relato, o conde Camillo Negroni teria pedido ao bartender do Caffè Casoni uma versão mais forte do seu Americano, com gin no lugar da água com gás. No entanto, nenhum registro da época confirma essa versão.
Os livros de coquetelaria contam outra história. Nos anos 30 e no início dos 40, a mistura de gin, vermute e bitter já circulava nos bares com o nome de Campariete, servida em taça e com mais gin que a receita atual. Só no fim dos anos 40, no pós-guerra, o drink passou a se chamar Negroni e, mais tarde, adotou as partes iguais que conhecemos hoje.
O resultado é um drink de perfil agridoce, aromático e com final longo. Veja abaixo a receita de Negroni:
Ingredientes
- 30 ml de Tanqueray London Dry;
- 30 ml de Vermute Rosso;
- 30 ml de bitter italiano;
- Gelo;
- Casca de laranja.
Preparo
Adicione a dose de gin, o bitter e o vermute em um mixing glass ou copo de fundo largo com bastante gelo. Mexa por 15 a 20 segundos, coando em seguida para um copo baixo com pedras de gelo novas. Por fim, torça a casca de laranja sobre o drink para aromatizá-lo, deixando-a sobre o gelo, e sirva.
Como montar um bar retrô em casa

Para preparar drinks retrô em casa, não é preciso um balcão profissional. Com os copos certos, alguns utensílios básicos e uma boa seleção de destilados, é possível recriar o clima da época.
Copos da época
Cada drink pede um tipo de copo específico e, por isso, vale conhecer os principais:
- Taça coupe: indicada para drinks servidos sem gelo, como Dry Martini, Manhattan, Bee’s Knees e Hemingway Daiquiri.
- Copo baixo: também chamado de copo Old Fashioned, recebe drinks com gelo, como o Negroni e o Old Fashioned.
- Copo highball: indicado para Tom Collins, Bloody Mary e Zombie.
- Taça flute: valoriza drinks com espumante, como o French 75.
- Caneca de cobre: a companheira clássica do Moscow Mule.
Utensílios essenciais
Os drinks da época usam duas técnicas principais: bater e mexer. Sendo assim, estes utensílios bastam para começar:
- Coqueteleira: para drinks com sucos, xaropes ou cítricos.
- Mixing glass: para drinks apenas com destilados e vermutes, como Dry Martini e Manhattan.
- Colher bailarina: mexe os drinks sem quebrar o gelo em excesso.
- Strainer e peneira fina: garantem a coagem dupla, sem lascas de gelo.
- Dosador: mantém as proporções corretas.
Mais sobre drinks retrô
Qual é o drink mais famoso dos anos 30?
O Dry Martini é o drink mais emblemático dos anos 30. Uma lista de 1934 o colocou em primeiro lugar entre os coquetéis mais famosos do mundo, seguido pelo Manhattan e pelo Bronx. Além disso, o drink aparece em filmes da época, como “The Thin Man”.
Qual é o drink do filme Casablanca?
O drink mais lembrado de “Casablanca”, de 1942, é o French 75. No filme, a personagem Yvonne pede o coquetel ao chegar com um oficial nazista, o que dá à cena um tom irônico, já que o nome homenageia um canhão francês da Primeira Guerra.
O Moscow Mule é um drink russo?
Não. Apesar do nome, o Moscow Mule nasceu em Los Angeles, por volta de 1941. Segundo a explicação mais comum, “Moscow” faz referência à origem russa da vodka Smirnoff, enquanto “Mule” alude ao coice picante do gengibre.